Eu vi a notícia no site Consultor Jurídico, a um pouco de mais um mês, onde falava que: “Exame de Ordem (OAB), 86% dos advogados aprovam.“. Achei interessante falar sobre minha opinião sobre o Exame de Ordem.
Inicialmente, quero relembrar que sou acadêmico do curso de Direito, 2º período ainda, e gostaria muito de advogar no futuro, a decisão se vou realmente exercer depende de vário fatores e não especificamente do Exame de Ordem, para entender um pouco estes fatores pode ler aqui para obter mais detalhes.
Resumindo, eu sou a favor do Exame.
Parece brincadeira, mas o Brasil tem mais cursos de Direito do que todo o resto do mundo junto, isso mesmo, podemos somar todos os cursos que formam profissionais na área jurídica na Terra e vencemos no quesito quantidade.
Imaginem todos estes profissionais jogados no mercado de trabalho com o título de Advogado.
Se hoje já temos um mercado saturado, significa que teríamos uma prostituição enorme dos profissionais, sei que já existe, mas poderia ser pior ainda.
Alguns chamam o que eu apóio de “reserva de mercado”, pode até ser, mas eu continuo a favor. Outras pessoas vão argumentar que o mercado de trabalho deveria encarregar disso de forma natural, eu discordo, seria impossível.
Uma analogia que aplico é a seguinte, imagine em um habitat natural deixar que uma espécie reproduza muito além da média, sem intervenção não há controle e as consequências podem ser grandes e irreversíveis.
Derivado do item anterior, quantidade de cursos de Direito, decorre um novo problema a qualidade de ensino.
Eu mesmo posso falar disso com propriedade, a qualidade das instituições de ensino estão deixando a desejar. Faço minha graduação em uma faculdade que oferece um ensino bom e podia ser melhor, se a preocupação não fosse volume de alunos ao invés de qualidade.
Não estou aqui desmerecendo os professores, tenho alguns excelentes, geralmente aqueles que não estão preocupados com as regras comerciais da instituição, mas sim com seu dom de ensinar.
Eu tento correr por fora, busco ir muito além dos que a faculdade fornece. Observo que muitos colegas levam o curso de uma forma muito tranquila, não lêem as doutrinas, muito menos as as literaturas extras recomendadas e alguns nem utilizam o código nas aulas, como uma professora diz “Prezados, como conseguem estudar Direito sem código? Mesmo com 10 anos na área não consigo ficar sem ele.”.
É acredito que formar no curso de Direito deste modo seja possível, assistindo as aulas, fazendo suas anotações, tirando xerox dos cadernos dos colegas, colando etc; como eu disse consegue se formar, literalmente pegar o canudo, mas não tem capacidade profissional que o mercado exige.
Outro ponto que as pessoas esquecem é que o curso é de bacharelado em Direito, não é um curso de Advocacia, esta é uma classe, uma sociedade de profissionais regulamentada por uma ordem, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O curso de Direito prepara o profissional para inúmeras possibilidades no seguimento jurídico, não sendo restrito à advocacia. Este profissional pode seguir carreira como consultor jurídico, por exemplo.
Vou usar um exemplo simples. Dizem que deveriam ter provas para a os Médicos, concordo, mas mesmo sem a prova atualmente, gosto de comparar o bacharel em medicina com o bacharel em direito.
O bacharel em medicina forma e pode atuar apenas como clínico geral, assim como o bacharel em direito pode atuar como consultor jurídico, ambos, podem prestar concurso público para diversas áreas que não requer especialização.
Se um médico quer atuar na área cardiovascular, primeiramente ele precisa prestar um prova para residência, estudar mais alguns anos, ser aprovado e ai sim ser cardiologista. Isto porque a sociedade de médicos cardiologistas, como muitas outras especialidades profissionais, exigem que o médico seja especializado e prove isso, e ele faz isso passando em uma residência super concorrida e realizando provas práticas e teóricas, como se estivesse entrando para a OAB, talvez até mais complicado, pois pode levar dois a quatro anos em especialização.
Para aqueles que acham que isso só funciona assim aqui no Brasil, saiba que isto ocorre em vários países como Estados Unidos da América, Inglaterra, Rússia etc.
Eu acredito que melhorias podem ser aplicadas, mas vejo com bons olhos a prova de ordem e acredito que ela um instrumento importante para o controle da Advocacia, uma profissão importante para manter o Estado de Direito Democrático.



Minha dica de leitura é o livro de Stieg Larsson, o primeiro da trilogia Millennium, “Os homens que não amavam as mulheres”. Uma curiosidade é que Larsson morreu logo após entregar as obras a seus editor, causando mais mistério.